Introdução

A MARVADA FICOU CHIQUE.

        

Olá, vou me apresentar, sou branca, encorpada, macia e cheirosa, uns acham que sou destruidora de lares outros que sou uma delicia e adoram me sentir, me chamam de companheira, de amiga para todas as horas.   Bem, para os que acham que destruo lares, coisa que me faz ficar chateada, digo, que não tenho esta intenção, procuro ser amiga, companheira, procuro dar carinho e dar apoio ser um elemento a mais para festejar momentos alegres e também acompanhar nas horas tristes, mais na verdade prefiro ser vista como parte da historia deste pais, aonde fui vista pela primeira vez por pessoas subjugadas que com a minha companhia tornei mais leve e agradável sua existência no cativeiro até ajudando a curar seus ferimentos físicos, nesta época eu era considerada de baixo nível coisa que nunca me incomodou, sempre preferi estar com o povo que com os nobres, mais com o tempo até a eles acabei provando minha capacidade e gostosura se posso me gabar. Passei nesta época ser até colocada com valor comercial imagina só, virei moeda de troca, não gostei muito disto por que na verdade acabavam me usando para subjugar mais dos conterrâneos dos meus descobridores.

Bem acho que antes de continuar a narrar meu trajeto pela historia brasileira para os que ainda não sabem quem sou me apresento, sou a “CACHAÇA” , “PINGA“  ou para mais íntimos “ A MARVADA”, tenho também vários outros nomes que recebi ao rodar por este pais principalmente no inicio de sua formação colonial, aonde acabaram me dando o nome próprio “PARATY” nome de uma linda cidade litorânea do Rio de Janeiro coisa que me deixou muito envaidecida, e por este nome acabei viajando por muitas partes do sertão brasileiro principalmente Rio de Janeiro e Minas Gerais, aonde acabei como falei antes virando mercadoria de troca tendo um valor monetário alto podendo até ser pagamento de escravos que também como  falei não me deixava contente e de doce ficava sim  amarga, mais não tinha como proibir  meu uso, isso na verdade acabou me fazendo ser parte da historia, e dali para frente sempre acompanho o trajeto político social deste pais e também me tornando “CHIQUE” por que acabei sendo exportada para vários paises como legitima mercadoria MADE IN BRAZIL.

 

Bem agora que me apresentei formalmente quero deixar que venha narrar minha historia A Império Jovem, passando a mostrar as formas que me envolvi na historia do Brasil através deste enredo, mostrando como de MARVADA acabei CHIQUE!

 

 

SINOPSE

Caminhada da cachaça na história Brasileira.

 

A cachaça é o resultado da fermentação e, depois, da destilação do melaço (borras do açúcar), ou do caldo da cana-de-açúcar, ou, ainda, do mosto desse caldo. O nome “cachaça” vem do espanhol “cachaza”, que significava, na Península Ibérica, “uma bagaceira inferior”. Entretanto, a palavra “cachaça”, com esta grafia e som, refere-se à aguardente de cana-de-açúcar que teve seu uso generalizado por volta de 1700; sendo um brasileirismo, uma criação do povo brasileiro.

Tendo quase a idade do primeiro contato dos portugueses com as terras brasileiras, a bebida surgiu junto com os engenhos de açúcar do país. Não há como precisar o ano de sua criação, mas a História nos mostra que nos anos de 1533 e 1534, o colonizador português Martin Afonso de Souza e mais quatro sócios construíram três engenhos em São Vicente que, tempos mais tarde, junto à cachaça, se destacariam como as primeiras indústrias do Brasil.
Os colonos de São Vicente foram os primeiros na disseminação de mudas para a formação de lavouras de cana e o estabelecimento de engenhos de açúcar e engenhocas (alambiques) de cachaça. Por esta razão, Paraty já era conhecida como produtora de aguardente no ano de 1600, e na segunda metade do século XVI, já contava com engenhos ao redor de sua baía.

Esses engenhos se espalharam por todo território, fazendo marcos da colonização e criando fronteiras e a partir deles nasciam as vilas e freguesias. A cachaça foi importante para os colonizadores, bandeirantes e caravanas já que se tornou a principal moeda na compra de escravos, vindos da África, que ajudaram a construir este país, portanto a cachaça pode se dizer tornou-se a primeira moeda nacional. Os açorianos, por sua vez, tinham a tradição no destilo da aguardente do reino, e por isso, foram os grandes disseminadores dos alambiques no Brasil.

No final do século XVI e início do XVII, a cachaça despontou como o segundo produto nacional, movimentando o comércio interno e gerando trabalho e riqueza. Temendo perder o controle sobre os produtos e os impostos, Portugal instituiu inúmeras leis tentando restringir a fabricação, o comércio, a exportação e o consumo da aguardente. Tais atos – ora de repercussão regional, ora atingindo toda a Colônia, foram de 1635 a 1759. Durante esse período, muitas revoltas populares eclodiram em favor do direito de produzir, vender, comprar, exportar, estocar e consumir a cachaça. A mais importante dessas revoltas ocorreu no Rio de Janeiro, entre novembro de 1660 e abril de 1661, quando senhores de engenho não aceitaram a proibição do fabrico e do comércio da bebida (estabelecida pela Companhia Geral do Comércio do Brasil, criada em 1649) e depuseram o Governador, derrubando o interdito. O número de revoltas foi tão considerável, que o Reino voltou atrás e ao invés de continuar proibindo, tarifou o produto.

No final do século XVII, a produção de cachaça já se espalhava por Paraty, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, a esta altura “sustentava” a escravaria, bem como movimentava as festas. Já no século XVIII, ocorreu uma nova insurreição popular – a Revolta da Pinga, em Pitangui – Minas Gerais, por causa de um veto da Coroa contra a entrada da bebida nas minas de ouro acabou sendo derrubado. A cachaça esteve presente em muitas lutas e reivindicações sociais, econômicas e políticas da Colônia e do Vice-Reinado do Brasil, tais como: a Inconfidência Mineira, de 1789; a Revolução Pernambucana, de 1817, a Confederação do Equador, de 1824; e, o Levante de Ouro Preto, de 1833; transformando-se num símbolo de resistência do domínio português.

No final do século XVIII, a cachaça já era popular em todo o país. Era a bebida que unia nas conspirações, que estimulava os atos de bravura; como escreveu Câmara Cascudo: “A cachaça aquece, refresca, consola, alimenta, alegra, revigora”. Já no século XIX – com a Independência, o crescimento da economia cafeeira, a abolição da escravatura, o início da República e a queda do Império – a oposição (que antes liderava as revoltas contra os portugueses) acabou se voltando para os imigrantes e seus hábitos; e assim, as maneiras e costumes europeus foram sendo absorvidos. Com isso, a cachaça já não era mais símbolo de resistência ou nacionalidade; além da abolição ter se esquecido do dia seguinte. O resultado disso: pessoas perambulando pelas ruas, sem emprego, esmolando para “afogar” a desgraça nas pingas mais baratas. Isso geraria, mais tarde, uma “ressaca social”; um preconceito pela cachaça.

No século XX, a bebida obteve uma notável popularidade – a dose sagrada do trabalhador. A famosa “Azuladinha” de Paraty ganhou a Medalha de Ouro da Exposição Nacional de 1908, no Rio de Janeiro modernizado por Pereira Passos e saneado por Osvaldo Cruz. Fez parte da organização operária;caminhou com a Coluna Prestes (1924-6); foi ícone na Semana de Arte Moderna de 1922 (um resgate positivo da brasilidade); ilustrou as histórias da República Velha; foi referência para a construção institucional e socioeconômica do país, no período Vargas; enaltecida pelos vanguardistas dos anos 50; mas, infelizmente, julgada “imoral e subversiva” (o que estigmatizou seus bebedores), na ditadura militar de 1964.

Manteve-se no cenário nacional graças ao samba, que nunca a abandonou; fazendo parte da música popular brasileira. Com a chegada dos anos 90, renasceu como uma bebida nacional, tornando-se o destilado mais consumido no país, por seu sabor único; mas também por seu valor. A cachaça, além de integrar a identidade do povo brasileiro, está na memória da nação, faz parte do patrimônio material e imaterial, habitando inúmeras manifestações da cultura brasileira; como: o folclore, a culinária, a medicina, a música, a dança, a literatura e a religião.

 

Hoje a cachaça pode ser descrita como a bebida genuinamente BRASILEIRA, que viajou com a historia do nosso pais, ajudando a formar nossas fronteiras e modo de vida, de bebida vulgar se tornou bebida CHIQUE, já que hoje temos até degustadores profissionais para avaliar seu paladar, padrão de qualidade e higiene.

 

ASSIM DIZEMOS QUE ..., A MARVADA FICOU CHIQUE.

 

Referências:

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  2. ANTONIL, André João. Economia Açucareira. In:_ Cultura e Opulência do Brasil por suas drogas e minas . São Paulo: Ed. Nacional, 1967, p. 139 e 144.

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  4. BOXER, Charles. A América Portuguesa por volta de 1750. In:_ A idade do ouro do Brasil: dores de crescimento de uma sociedade colonial . Rio de Janeiro: ed. Nova Fronteira, cap. XII, 1963, p.309-339.

  5. BOXER, Charles. Os holandeses no Brasil (1624-1654) . São Paulo: Ed. Nacional, 1961, p.27-29 e 344-346.

  6. CAMARA, Marcelo. Cachaça, bebendo e aprendendo. Rio de Janeiro: Editora Mauad, 2006.

  7. CÂMARA, Marcelo. Cachaça : Prazer brasileiro. Rio de Janeiro: Ed. Mauad.2004

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  9. FAORO, Raymundo. Os Donos do Poder : formação do patronato político brasileiro. Porto Alegre: Globo, 6 ed. 1984, v. 1; 4 ed. 1977, v. 2. (p. 141-146 e 176-302).

  10. FERLINI, Vera Lúcia Amaral. Terra, Trabalho e Poder : o mundo dos engenhos no Nordeste Colonial. São Paulo: Brasiliense, 1988. 271 p. (p. 17-24 e 224-236).

  11. FERLINI, Vera Lúcia Amaral. A Civilização do Açúcar séculos XVI a XVIII . São Paulo: Brasiliense, 1988. 100 p.

  12. FREYRE, Gilberto. Sobrados e Mucambos – Decadência do Patriarcado Rural e Desenvolvimento Urbano. São Paulo: Global, 1008

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  19. SCHWARTZ, Stuart B. Segredos Internos – Engenhos e Escravos na Sociedade Colonial. São Paulo: Cia das Letras, 480 p.

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  26. WEHLING, Arno, WEHLING, Maria José C. M. Formação do Brasil Colonial . Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 401 p., 2 ed., rev. ampliada, 1999.

 

 

Palavras para entrar na letra, não necessariamente todas elas.

 

Cachaça Cultura e prazer do Brasil

 Nome da escola, Império

 

Manter o samba sempre dentro da alegria, queremos um enredo irreverente estamos tratando de cultural Brasileira, vamos manter a alegria que nosso povo tem.

Manter a cronologia da sinopse.